quinta-feira, 8 de junho de 2017

sozi36

João Almeida Neto - 2010
East Side Gallery - Berlim

O que me importa é não estar vencido. Desço uma rua, carrinho de rolimã. Freio é o improviso. Quando acaba, só temos o que está nos pés. Curto caminho até os montes de livros. A esquina era o lugar preferido – sentava ao lado do gradil curvo e baixo. O pequeno muro que separava a invisibilidade e os sonhos.

Claro, a rua. Meio-fio. Fins das tardes. À noite, me lembro do sono, vento deslizante; uma janela entre-aberta-fechada. Um cachorro, dois cachorros. Foram. O clube, just-in-time. Acomodado entre as linhas antes das arquibancadas. Um gol, dois góis. Pênalti. Ainda que tivesse joelheiras e cotoveleiras, o samba seguia.

O contato com a água. A terra não se via. Mas sabia-se que estava e era. Algumas memórias para se fazer um espaço-tempo de existências. Trams, trens, metrôs, bicicletas, trenós, neve, asfalto, pedra, ar, e um degrau que se esfarela.