quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Fila de carros

Ingrid Bergman, em Stromboli, 1950Aquela fila de carros estacionados em frente ao museu foi suficiente para que um pequeno, mas barulhento, tumulto se formasse. A incidência de diversas linhas de ônibus e o prepotente coreto na bifurcação das vias acrescentavam alguma modernidade à decadente esquina. Houvera sim, uma única vez, tentativa de novo vigor na porção mais rica da cidade; entretanto em vão: partira de já escassos sexagenários que quarenta anos antes já desconversavam sobre mudanças abissais – e claro sempre chegavam e partiam em suas lambretas vermelhas. Hoje, preferem mais de três e menos de cinco rodas.

O correto e justo a dizer é que logo após a chegada de um pequeno grupo de senhores saídas da casa chá entre, entre o velho joalheiro judeu e o mais velho ainda vendedor de sapatos formou-se alguma tensão. Talvez se conhecessem desde os tempos que voltavam a casa sem os sapatos. Talvez fossem realmente amigos, que outrora dividiram boa parte das manhãs de verão. E claro sem sol.

O atraso que esperava foi maior – justamente pela reforma dos trilhos, que já se estendia por três semanas. Quando subi no bonde, toda a história da colonização se fez representada e não escrita novamente. Procuro um lugar entre um vagão e outro, não sento. Apenas uma haste de metal, para que nas freadas e nas pacientes curvas possa me apoiar. Espero e desço. Calmos os são os passos que ao meu encontro repousa seu olhar.