quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

A rua da paragem de lá

Peter Blake On the Balcony, 1955-7Descobre o fundo nunca descoberto
As areias finas ali de prata fina;
Torres altas se vêm, no campo aberto,
De transparente massa cristalina;
Quanto se chegam mais os olhos perto,
Tanto menos a vista determina
Se é cristal o que vê, se diamante,
Que assi se mostra claro e radiante.

Luís de Camões em “Os Lusíadas”




Três cordas tem a guitarra,
Uma d´ouro, outra de prata...
À terceira, que é de ferro,
Todos lhe chamam ingrata.

Antero de Quental em “Primaveras românticas”


Na rua não se impregna o cheiro de nada. Os contrários também são válidos. Não aquela simples inversão apreendida durante o início da adolescência, mas sim uma outra, ensinada em poucas palavras e quase nenhum silêncio.

As referências são repetidas e pouco aproveitadas. Talvez assistidas. Como no cinema: aquele beijo ensaiado desde os créditos iniciais e que se perpetuará somente na última cena. Vejo e não observo. Por isso gosto tanto do cinema e evidentemente da maneira de fazer cinema. Se a observação me contagiasse, talvez seria mais prático e mais rápido participar de um safári.

Faço continência às sensações. E nada mais importa. Sou ocupado pelo vento e pelas pequenas conversas que não compreendo.