sábado, 20 de novembro de 2010

Onofre

Sem Nome, Luís Qual,foto de Jan Bengtsson, coleção particular, 2000, Grés, 36x60cmOnofre tinha uma lanterna. Numa sexta-feira, a trocou por uma guitarra. Embora sua surdez não o incomodasse a ouvir; as cordas poderiam trazer ou enviar algo que seus olhos já esperavam. Naquela mesma sexta-feira, Onofre foi a sua última aula no maternal. Sentou-se na primeira fila e portou-se de maneira sutil e controversa. Afinal ele cosrtumava se entreter com pequenos aviões de papel e os doces sorrisos dos mais velhos.

Embora ele soubesse que não mais ali voltaria (mesmo quando enricou e comprou todo o terreno e os prédios que nele eram contidos) sentiu certo temor em querer voltar. À sua espécie de gente (mais tarde, muitos outros o chamariam assim) era permitido quase todas as mudanças e diálogos. Aos que restaram sobre o chão (quando da soneca após o almoço) foram erguidos bustos e evidentemente sem sorriso algum em suas expressões.

Sim, a velocidade era parte de sua espécie. Lucrava mais em comprando mais e vendendo rápido. Sem pensamentos insanos em relação às coisas que pouco importavam aos outros e que lhe fazia, quase sempre, indagar seu gato em proposições sérias e pouco plausíveis. Sim, era a janela em que o gato repousara que Onofre meditava e mantinha seu bigode adornado.