terça-feira, 18 de janeiro de 2011

A garota que gostava de sapos

Charles Demuth - Buildings, Lancaster - 1930 - Oil on board - 24 x 20 in (61 x 50.8 cm) - Whitney Museum of American Art, New YorkA garota gostava de sapos. À noite, antes de dormir se despedia do sol com uma xícara de chá de hortelã. Folhas que elas e sua avó materna cultivavam em uma pequena caixa de metal. Seu colchão d´água tinha algumas bolhas de ar. Era com elas, quase adormecendo, que via seus cabelos refletindo.

Sentia no chão todos os aromas que a cera, passada quase todos os domingos, provocava. Fazia pensar no seu trabalho: era a única vendedora de malas da grande loja de departamentos. Orgulho em ser por onze vezes seguidas recordista de vendas da rede. Usava saias, e apenas elas. As calças, dizia, eram para quem ainda sonhava.

Pelas manhãs, via sempre o mesmo episódio do Zorro, o antigo. Suas velhas fitas quase sabiam onde seus sorrisos e suas sobrancelhas estavam. Trinta minutos depois da espada marcar mais uma vez suas saias; estava pronta para seus zíperes, cadeados e seus botões.