sexta-feira, 20 de maio de 2011

O garfo

Larionov, Mikhail,Le Boeuf-Rayonnisme,1910-Oil on canvas-85 x 67 cm-Private collectionEra tudo sobre estar sentado ou em pé. Se olhava por entre os dentes do garfo, as múltiplas visões; quase encenadas, já seriam suficientemente satisfatórias. Tratava-se de uma recusa às flores e às folhas. Aquelas, que as cores e o intenso sol de outono foram capazes de transformar o final da tarde em começo de noite.

Ninguém se sentara à sua frente. Em vez disso, pedira à jovem ao lado para posar, na cadeira que ocupava, em uma singela fotografia. Tempos digitais e claro, a imagem jamais seria impressa em um papel. Sentia que seus pedidos eram incentivados à medida que sua voz era docemente aceita pelos ouvidos alheios.

Daquela pequena sobremesa recheada de amoras, vencida em poucas mastigadas, usou a faca e uma pequena colher. Quando as previsões meteorológicas erravam por pouco a temperatura do dia; pedia um chá de hortelã e adicionava todo o açúcar disponível – e o garfo teria algum uso.