quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Tomate

Willem Kooning Untitled VIIQuando encontrei onde se vendia um bom molho de tomates era hora de partir. Poucos minutos em água fervente pareciam décadas para quem havia acendido o fogo e enchido a grande panela com água. O utensílio fora herança do único parente conhecido e assim mesmo pouco viveu para o molho.

Quase eslava, a feição lembrava o perfil daquela atriz de nariz adunco e voz rouca que atuara em diversos filmes de gosto refinado e sempre com falas em espanhol. A alguns, ela era a companhia perfeita (na mesma medida daquela ao ar livre em pleno sábado à tarde e com sol); para os outros, era um belo livro de nome “angústia” ou “insônia”. Um livro.

Com a cadeira que sentávamos juntos; de tal maneira que os dois ficavam com os pés bem distantes do chão, íamos calmamente retirando parte da areia dos olhos: acúmulo de algumas noites sentindo os joelhos e respirando o mar.