sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Jazz de extremidades

Sonia Delaunay-Terk Les Robes Poèmes, 1969Dois retângulos de luzes eram projetadas no palco. Os comprimentos eram cinco vezes maiores que as larguras. Duas esbeltas janelas de luz. Chão de madeira e pintado de branco. Duas vezes por ano era feita a manutenção: outra camada de tinta era adicionada. Bom começo de luz.

Aos que entravam em cena, eram permitidas indumentárias brancas. Certo contraste entre as peles e os que reagiam da platéia com sorrisos e nenhum aceno. Caminhavam entre uma mudança e outra. Saíam e entravam pelas laterais e claro, eram adormecidos pelas longas madeixas negras.

Mãos espalmadas e muito barulho. Contavam-se com dedos alheios quantas vezes foram e voltaram em uma singela apreciação dos movimentos. Queria-se ir em tons mais amenos e delicados. Fazia-se ao acaso. Era isso. Ao acaso que escolhera seu último vestido. E com ele dançava em cores.