quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Larnax

Entre jovens damas destacadas na primeira fila, havia um interesse natural àquelas que passavam pelos quarenta anos de vida. Seus ossos, em certos momentos, pareciam machucados. Em volta do som intenso que respingava do palco, duas ou três cores pálidas eram anunciadas.

Ao receber o aplauso, o mágico se contorcia em agradecimento e ao inclinar-se pela penúltima vez, sorria. Desde que comprara aquele par de sapatos negros, ainda não havia os engraxados devidamente. Sua dúvida era por qual dos dois pés direitos deveria começar. Por sorte, usava luvas nas suas duas mãos esquerdas.

O efeito das quase cinco horas de espetáculo podia ser esquecido ao leve toque dos dedos entre os cabelos daqueles que encontravam a direção do café mais próximo. Seguiam em espessos minutos as mais variadas constatações. Todas em voz alta e forte sotaque.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Nem a japonesa loura

MarkRothkoNem a japonesa loura e nem a mestiça moura estavam lá. Àquela construção entre serra e lago voltava seus convidados ao eterno olhar. Aos cuidados do mestre-sala, que nem ao menos enxerga seu pé, via-se tudo e era ele que conduzira os aprendizes a maestro. Suas habilidades eram o sorriso e a onipresença. Depois, ao escutar a voz do coração, partia em passos sinuosos ao encontro. Refinava-se o escutar e quando recebia o quase último deles, reciclava-se em força e criatividade.

Sim, as maçãs dos rostos. Numa breve locução das atividades ali aprendidas eram volver-se ao outro e em volta de si mesmo. Qualquer extração contava com parte de todos. Verificavam-se roucos pensamentos nas comemorações, abraços e ritmos. Fazia sol naquela noite e todas as músicas foram lembradas. Às estrelas, um conto em fantasia e um soneto em som e fúria.

Algum trapezista revestiu quatro bandejas e todas as escadas. Ocupava-se das esferas, que em contato com o ar, arremessavam sua luz ao infinito. Ao que os sentimentos não conseguiam dar nomes entoava entre os dedos, narizes, ouvidos, pupilas e línguas. De certo encantamento fez a vida e agradecimento.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Na praia

Na praia. Deitava sobre a areia e em poucos minutos, qualquer indício de sol vencia as altas construções que orbitavam as ondas. Braços ao alto, olhos pouco visíveis e certa cadência nos gestos. Ralhava aos copos de plástico e mais ainda aqueles leitores alterosos.


Enquanto as medidas eram geometricamente vislumbradas; ainda seus ombros, em face a todos, moviam-se em cativantes deslocamentos às trilhas em preto e branco. Em outros nós em desencontro havia um relógio de água.


Todos, sim todos. Ao caminhar, refletia em cores amarelas seus pensamentos.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Seis dinheiros

Nick Knight,Yohji Yamamoto catalogue, 1986Com uma pequena moeda de seis dinheiros raspava os muros. Todos coloridos e à beira do rio, que trinta anos antes havia sido o último conhecido dos viventes. Estes que tentavam andar entre ferrolhos e palavras cruzadas. Quando os primeiros traços desapareciam era tempo de guardá-la e experimentar o frio.

A geometria que trinta anos antes nascia para o outro lado do sol respondia agora aos visitantes. Seus aromas e desapontamentos se misturavam em longas filas. Eram quase os cinzentos dias e as lojas de souvenirs que lhe trouxeram algum sorriso. Seguia as faixas amarelas, as contínuas.

Voltava sua moeda àquela preparação de final de ano. Esperava exatos trinta anos para que sua receita fosse eleita. Noite de natal e sempre o banquete. De convidados e sorrisos. Era sorte a quem encontrasse desnuda e brilhante em seu pedaço de pudim.