sábado, 25 de maio de 2013

kraanerg

Os homens sem mundo e os seus feijões do divino. Dizia que iria chover. Choveu. Sadismos durante todas as consciências: opressoras ou não. Ratos no chão, certo odor de feira, já no final. Quando o meio dia chegar, saberemos que o seu começo foi ontem. Receita na mão. Tarjas pretas, vermelhas e amarelas.

Seres inacabados. Em extensões e durações. Tempo no espaço de tempo. Àquele contado em tiras de couro, o véu em lama de saibro. Corre-se ao luar. E é isso o que se tem tempo a fazer: dividir, contar – ou em seu espelho, a alma não aferida e pouco visível. Talvez seja seu próprio contorno que a defina, ou definam-se.

Homens sem mundo. Dez minutos atrás de uma ideia. Quando coagular qualquer coisa, estará pronto. Futuros em tempos de verbo, o passado mais que perfeito; e o presente se foi. Feito. Qualquer sucessão de estados de consciência. Duração. Extensão. E quando no frio, solidifica-se.

sábado, 11 de maio de 2013

Xícara

A repetição incansável da cena da xícara. Quando caia, fazia-se em pedaços. Diferentes ao toque e ao chão. Diferentes chãos e toques. Alguns diriam que ainda havia conteúdo, enquanto os mais otimistas apenas olhavam sob o sol. Um pequeno simulacro, algo emitido pelo objeto e suas sombras.

Um interesse humano, não imediato, ardoroso. Mesa do jantar posta. Água, suco, e postres. Faltavam molduras aos desenhos em preto e branco. Seus papéis em tom de pele, meio desejo em meio querer. Segundas-feiras eram dias de descanso.  Nem mesmo o aquecedor na sala era suficiente. Suficiente.

Aqueles que criavam, a consumiam. Surpresa, raridade e trajeto. Expandia-se com sutileza e ardor.  Sempre atrás das cenas. Suas cenas. Cenava, acenava.  A identificação dos operadores e espectadores era feita por ordem alfabética: com o mesmo método dos tufões, furacões, ciclones e noemas.