sexta-feira, 22 de novembro de 2013

atlântico

Gino Severini 1959 The Pan Pan at the Monaco
Daqueles imensos limites da pátria eram escolhidas as sequências de espelhos. Uma alma arejada e pouco fanática fazia luz sobre sogras, aluguéis e agiotas. Qualquer textura concedia certo filistinismo ao emaranhado de retas. A música que ninguém ouvia imprimia escala blue com o terceiro e o sétimo abemolados.

O olhar curvo sobre o café lembrava os poucos dias de sol na costa do norte. Algo entre uma estação de trem vazia e todos os comprimidos para dor de cabeça que esquecera. As refeições em pratos de louça e o punho da camisa que servira de guardanapo. O letreiro dizia “chá dançante”.

Reuniam-se. E iam contando as páginas a partir do fim. Vestiam-se de contos e poemas. Secos e úmidos eram os parcos regramentos que escreveram. O fogo se encarregava dos gestos e suas sombras recuavam em danças. Convencidos de suas belezas, não pulavam: fingiam-se sapos apenas quando viam-se refletidos.




quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Thai Binh

Balthus La Rue 1933
Quando a família se encontrava no circo, os arrulhos pareciam apenas uma distante ópera de Mysliveček. Os mais velhos pensavam que ao sentar nas proximidades do picadeiro estariam voltando à juventude. Jamais saíram dela. Todos embalsamados em laivos de tristeza. Talvez fossem os ovos mexidos do café da manhã.

As sequências de atores pouco razoáveis, imundos, atrozes e absurdos. Os esguichos dos óculos dos palhaços sempre apontavam ao mais puro recalque de algum ossian. Seguindo as leis das falsificações, por hábito – utilizavam aquilo que conheciam. Uma continuação anterior a todos os presentes.

Qualquer um sabia que o mais escasso vento era um completo vazio insaciável da morte. Eram intervalos harmônicos. Uma imobilidade imposta e forçada. Uma mímica que simplificava o real. Lembro-me das mãos no ar e da pele fresca em panos mornos daqueles que faziam todos o trajeto no imperial.