terça-feira, 16 de dezembro de 2014

ambicanhoto

Lucio Fontana
Concetto Spaziale, 1959
Óleo sobre tela
126cm x 100 cm
Coleção particular
A sola do pé era alaranjada. Com um certo vermelho desbotado de modo que a unhas pareciam ainda mais brancas. Foi deste contraste que o contato e deu. Nas partes dos limites: as mãos e também os narizes. Havia um odor pouco amigável ou quase repelente nos encontros-cenas. E então as cinzas dos céus apagavam qualquer tentativa de aproximação.

Daquele ponto, eu via as tomadas e dos modelos antigos - de três pinos. Foi tudo antes da reforma das redes elétrica e de água. Levei meses para deixar de confundir as nomenclaturas e os usos. Mesmo hoje, depois de décadas, vou pelas impressões da infância e evidentemente me confundo pouco.

Tenho habilidades em perceber ruas arboladas e repletas de vazios. Sinto mesmo pelas ausências de nostalgia. Naqueles programa do rádio costumo prestar atenção nas respirações e nas pequenas pausas. Espero-me nelas diariamente.

domingo, 7 de dezembro de 2014

Pa

La cistella de pa
Salvador Dalí, 1945
Óleo sobre papel, 13 cm × 17 cm
Fundação Gala-Salvador Dalí, Figueres, Espanha
Do outro lado da cerca, pelos espaços entre as flores curvas, eles estavam tacando. Restava-nos acertar a bola. Um giro à esquerda e outros tantos metros. Posicionávamos em cinco fileiras. O primeiro lustrava mais sapatos, enquanto, eu, o último, ficava com dois ou três em couro e com laços, de modo que deveria ser o mais cuidadoso.

Quando a sombra do caixilho apareceu na cortina era entre sete oito horas, e portanto eu estava no tempo de novo, ouvindo o relógio. Do tipo dos mais antigos, aqueles que mesmo dando corda, ainda sim atrasava-se 7 minutos em oito horas. Pensava-se que no mês de agosto o ano já haveria de terminar. A alguns era mesmo que acontecia.

Uma vez vagabunda, sempre vagabunda, é o que eu digo. Mas não repito. Embora mais a vontade que o gosto. Vontade de ter um gosto. Um só e seguir ao lado dele para frente do meu nariz. Não acho que uma simples respirada em bufantes aventuras possa ser objeto a qualquer crítica. Há quem aja com os contrários.

O dia nasceu feio e frio, uma muralha móvel de luz cinzenta vinda do nordeste que, uma vez de dissolver-se em umidade, parecia desintegrar-se em partículas minúsculas e venenosas. Descemos de uma vez o muro. Quase três metros: acho que alinhavam com as paredes das casas mais próximas. Ou então mediam em palmos e então as variações eram de acordo com as idades mais avançadas.


sexta-feira, 14 de novembro de 2014

É quase árvores

Raphael Soyer
Cafe Scene
1940
Óleo sobre tela
61cm x 50,8 cm
Brooklyn Museum, Nova Iorque, EUA
É quase árvores. Nesta humanidade de cordas e poucas idades, trançamos uma ida. Até que o chá esfrie e queime as nossas gargantas vagarosamente. Como uma enseada; uma cobra de vidro que nos envolve. Costumava não ter pensa sobre as coisas além da janela. É quase árvore e onde dormimos é um recheio de nossas insignificâncias.

De maneira que repetimos, e então tudo fica diferente. Nada mais que o desimportante que nos atravessa, que caudalosamente, nos amarra ao tempo. Um paradiddle de desheróis  - direita, esquerda, direita, direita, esquerda, direita, esquerda, esquerda. Vou sujando os troços, ando sujando os troços, os trocos, o tocos.

E os muros desenhados, os encantamentos, os cantamentos, os poros. Enquanto transvejo os meus mundos, o meu mundo, o mundo que me vê, as váguas se ressentem cheias de precariedade. Conheço os que imitam navios, que assoviam os passarinhos e eles são raros.




terça-feira, 28 de outubro de 2014

point blank

Everett Shinn
Strong Man, Clown and Dancer, 1906
25,2 x 19,9 cm Óleo sobre tela
The Pennsylvania Academy of the Fine Arts
Era muito real para mim, até eu conhecê-lo. As árvores passavam sobre nós e pelo para-brisa, víamos a rua. Os óculos vestiam a todos e suas hastes escorregavam em nossos cafunés.  Dormíamos com os sapatos amarrados. Teimosamente íamos ao sol pela manhã e em nossos pensamentos, a um infinito de canções.

Nos dias mais frios, gostávamos de almoçar tarde e ficar olhando os esmaltes nos dedos mais finos. Em algumas cores, podíamos refazer os gestos de pintar. Embora fossem as texturas e seus reflexos que nos faziam deixar as cadeiras sempre junto com o último café. Numa quase noite dessas nos desencontramos.

Porque o céu é azul. Porque dançar é o que temos. Porque os caminhos são nossos. Porque os sorrisos estão sempre. Porque os sonetos são belos. Porque as escolhas mudam. Porque as estações passam. Porque os dias são de luta. Porque com pedaços de mim eu monto um ser atônito.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

You got me dancin' in the sun ou Step up for the cool cats

Gabriele Münter
Self Portrait, 1908
Óleo sobre cartão, 49cm x 33,6 cm
Museu Thyssen-Bornemisza, Madrid, Espanha
Quero um nariz que fale
 
Uma boca que olhe
 
Mãos nos seus sorrisos
 
Paladar nos ventos
 
Sobrancelhas de delicadeza
 
Um ouvido para os seus cafunés
 
E seguramente nada a saber.

sábado, 11 de outubro de 2014

queue

Ed Ruscha
OOF
1962 (retrabalhado em 1963)
Óleo sobre tela
181,5cm x 170,2cm
Museum of Modern Art, New York City, EUA
Qualquer  flama verde no meio da sala era a diversão. E por sorte, foi também a única canção que cantávamos juntos. Para mim, um remoto no assunto, aquelas expressões de pouca comunicação consistiam em uma espécie de memória. Mesmo quando as tentativas de sorrir eram-me escassas.

Havia uma dedicação proposital em dizer ou mesmo pouco dizer em tempos compostos. A leitura em voz alta nos revelava apreensão e beleza. Alguns conviveram com lágrimas e outros com os lenços de papel. Até que acabaram. E então, automaticamente, eram repostos pela insistência em dobrar-se à esquerda.

Meto-me em lençóis. Em toalhas brancas. Em travesseiros macios. Pouco descanso. Visto-me como um narrador em segunda pessoa. Caminho sempre com meias. Resto-me aos muros e àquela água que o encobre. Faltam-me o vento, mas não faltam-me os amigos.



domingo, 5 de outubro de 2014

tips

Jack Beal
Random Walk 1964
Óleo sobre tela
201,9cm x 203,2cm
Queremos narrar história alguma. Nada que possa conter olfato ou tato. Fazemos nossas palavras com os cascos dos navios e por amor a esta narrativa que nos parece digna de ser lida. É de sensatez apurada o que desejamos contar é algo que não acontece todos os dias e nem a qualquer um.

Quando se entrava no restaurante era curioso a quantidade de mesas ausentes e uma presumível falta de apetite. Parece-nos que as vontades eram esmiuçadas em pensamentos mais distantes; dos presentes, restauram dois charcos e uma náiade. Recusaram-nos por portamos muitos brincos.

E depois da noite infinita e de um conforto frágil, podemos nos render os pequenos prazeres. Um tédio instável e doce fazia-nos acompanhar durante o depois do dia. Amávamos os deuses alheios e estes perfuravam lábios suaves. Diga, o que você viu?


sábado, 20 de setembro de 2014

Súber

John Constable, 1831, oil on canvas, 151,8 cm × 189,9cm
National Museum Wales, Cardiff
Cortei a ponta do dedo. E o mundo todo ficou vermelho. Uma guerra de bons-dias estava em curso. À medida que a fila avançava, os chapéus se acumulavam sobre o sofá. Havia a mesa e no entorno, uma coleção de ventos.  Houve as janelas, e um coletivo de sombras.

Enquanto os segundos se preocupavam em cumprimentar, os mais novos não estavam a se desculparem. Com as mãos espalmadas e sólidos sabonetes finos, eram com poucos golpes que as sentinelas engorduradas iam se afastando.

As pequenas escaramuças ao redor do pátio. As trincheiras enlameadas. A fogueira ao final da noite.Tenho ou uso memórias que me são singulares. É o caminhar, a repetição, a prática, o mais simples dos sorrisos e um imenso olhar sob a água.

sábado, 23 de agosto de 2014

não-tudo



La Fountain de Marcel Duchamp, 1917
Fotografia de Alfred Stieglitz
Réplica do Tate Gallery de Londres
O veludo vermelho era aberto. Sete pontos de luz vociferavam sobre o piso de freijó. Da moldura, se viam violino, atabaque, acordeom;  sapatilhas, ritmo, transpiração; tela, cor, viagem ao sertão; terracota, teques, museu em Milão;  figurinos, maquiagem; monólogo cão;  máquina de escrever, papel, invenção;  filme, câmera, aliteração.

Dois dedos na caixa de fósforo e composição. Meia volta no ar e a cara no chão. Os dedos em volta do pincel e um na multidão.Cortes mínimos e máximos em plena evocação. Ensaios, e muitos ensaios, leituras para nada sair em vão. Dois pensamentos, três chocolates, oito cafés e meia afirmação. Nestes contínuos de partes - todas em emulsão.

Ao que me lembro era um grande quintal em casa de avó. Hora dos bolinhos de chuva e voltar ao brincar. Olhar para o céu e aprender qualquer coisa depois da janela. Sem mitos, sem modernos, sem fórmulas, sem contrários, sem sagrados, sem paraísos, sem mediação.


quinta-feira, 31 de julho de 2014

People in the Sun 1960 Edward Hopper

Óleo sobre tela (102,6cm por 153,4cm)
Smithsonian American Art Museum
Washington, Estados Unidos
Há de se começar com a água. Daquelas que correm para onde ninguém sabe. E depois, fechar os botões do casaco. Com certa pressa e apreensão. Abrir a porta da frente, colocar as mãos nos bolsos e seguir. Atravessar o pequeno jardim e nem olhar para as flores. Empurrar a portinhola de madeira sem cor.

Caros, estou certo. Convencido nos meus pensamentos e escritos. Posso me concentrar em duas ou três notas. Meio acorde e uma porção de perfumes. Tenho as possíveis felicidades em todas as pedras que seguro. Assim, perco os meus sapatos e transbordo por entre as mais intensas folhas.

Ando pela casa e faço barulho. Confiamos em quem faça barulhos.

domingo, 25 de maio de 2014

Gilvaz

Van Gogh
Flowering Plumtree  1887
Van Gogh Museum
Amsterdam
Distinguo o marrom. A lógica era pressentida de igualdades. Pouco de luz e certamente carregada na maquiagem. Numa viagem aos trópicos viu-se em dois espelhos: as formas eram espumas. E não mais voltou. Apagaram-se as vozes e os seus semitons. Outra nota aguda em poucas partituras. Já não as lia.

Ia se acostumando à própria dexistência. Cores repentinas e sonâmbulas. Vestiam-se em fuldas. E em sonhos, arriscavam-se em ladeiras de pedra. Evidentemente, mentiam. Sempre. Assim, não narravam a vida de qualquer ser que respirava ou andasse. Uma centena de séculos ou segundos depois, lembrava-se do ordinário.

Torço as lentes dos óculos e imediatamente começo a ver claros e escuros. Todos os contrastes e texturas. Deito-me em noites de calor. Porque sei que varrer a casa após o sol é certeza de má sorte. E as cordas pareciam mais longas quando balançadas. Ou talvez fossem as distâncias entre o chão e os pés que insistiam em diminuir.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

A boa coragem

Goya
1808-1812
Óleo sobre tela
Museu do Prado, Madrid
"À fantasia  foi-me a intenção vencida;
mas já a minha ânsia, e a vontade, volvê-las
fazia, qual roda igualmente movida,

o Amor que move o Sol e as mais estrelas"

A divina comédia
Dante Alighieri


A boa coragem se estabeleceu em múltiplas percepções. Diversas em forças de atividades. claro, um pneu furado no caminho e uma roda amassada. Em meia hora tudo se resolveu: ou eu não termino nada. Continuar  a me recordar é uma primeira instância de filtragem de significados.

Apreensão e compreensão. Seus preconceitos clássicos do mundo ocidental. Formas e muitas formas. É o que se via pelas palavras. Eram poucas vezes lidas e sublinhadas. Até que um leve arranhar em seu queixo trouxe todas elas à boca. Ao fechar as janelas, continuou a se fazer e em dois ou três anos, pôde ver um por do sol.

Ao instante do não contato com o solo, vejo a leveza que procuro. Ou que evitava. Ou ainda, o arquétipo idolatrado. É preciso se afastar para ver os céus azuis e suburbanos.  Dicionários a preencher e a presentear. Resido na língua portuguesa, nas inações, nos bancos das praças, nas boas refeições e nas minhas poucas memórias.

domingo, 23 de março de 2014

Falam as partes do todo

George Wesley Bellows
Paddy Flannigan
1908
Coleção particular
– Tudo o que vivo é contraditório. De súbitos instantes é o quê me recordo. Das formas inventadas cotidianamente, das mesas desenhadas no chão, das mãos quando tocavam o rosto. Minha experiência é com o espaço que me cerca; com o espaço que não me cerca e com os gestos planejados.

– Os passos da improvisação são todos feitos de expressão e construção. A eles, falo sobre estéticas insalubres de memórias puramente doces e convexas. Às suas experiências não tenho dança e às suas interações, me retornam pulsos. As nossas coisas se escolhem: nos limites das nossas éticas.

– Desço às camadas e os pesados casacos agora se fecham nos cabides. O movimento é da cor do ar. E como eu palmilhasse vagamente algumas palavras sabidas por uma estrada pedregosa diante de defuntas crenças convocadas, e ao pisar na grama, pergunto –

E por que você está sempre de preto?

sexta-feira, 7 de março de 2014

Lieder

Käthe Kollwitz
Self-Portrait 1924
Lithograph on handmade paper
Art Institute of Chicago, Chicago, Illinois, USA
Be careful, you are not in wonderland
I’ve heard the strange madness long growing in your soul
but you’re fortunate in your ignorance
in your isolation
you who have suffered
find where love hides
give, share, lose
lest we die, unbloomed

Allen Ginsberg  

Eu não visto branco. Eu não vejo branco. Eu e nós não fazemos frases sobre os assuntos das duas primeiras. Quero os pronomes e os nomes em proa e popa. Eles querem as éticas, as cognições, os conhecimentos, e os reconhecimentos.  Vós sois capazes de afetar e serem afetados. Não parem as máquinas!

A entrevista após a partida esclarece todas as questões existenciais. Falemos ao microfone que em um dia se perde e outro se ganha; as perdas e os seus limites.Durante noventa minutos, fomos formas desorganizadas. Sentimos o placar se alterar, mas nos expressamos ao soar do apito e no final.

Estar nas trincheiras. A vida na arte ou contrário, ou não. Sempre no que queremos e no que precisamos. É um estado de escolha: aos que escolhem seus respiros ao sereno. A visão de uma noite é a questão.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

skat


Joaquin Sorolla y Bastida
On San Sebastian beach
1895 - 1900
Uma dose de pólvora fora das especificações constituía o único risco conhecido. Ao menos conhecido no campo real. Para cada uma das diversas concepções tecnológicas houve um sem número de testes. Eram as sensações de correr e ventar que os programadores automaticamente já escreviam ou como eles gostavam de dizer: publicavam.

O primeiro aeroporto e uma sequência de fotos. Eram álbuns. Enumerados e catalogados pelos programadores e seus pares. Aquele incômodo riso os impedia de ir além dos pares. Colocavam sempre um zero ao final, para que assim, todos fossem pares. E pares aos pares extinguiam-se as chances de outros números.

As fibras das roupas e suas texturas condicionavam os cheiros e evidentemente as lembranças. O rosto lavado correspondia aos insultos que detestava esconder. O sabão e água eram parte do ritual que inventara. Jogava sobre a mesa de fórmica os pequenos brinquedos e com eles podia escolher as rimas alheias.


quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

impossívelgrafia ou aviron



Hundertwasser Aurore 1968
Não houve outra história de descrevesse suas habilidades e talentos. A linha do nariz movia-se com facilidade a tudo que ouvira e praticamente definia suas variações de humor. O obi estava posto e devidamente ajustado. As disposições se encaixavam milimetricamente naquela figura desenhada no chão.

O estado de palidez consistia em três doses de gim e alguma maquiagem. E em seis dias da semana, suas olheiras pareciam mais próximas do personagem do que se via no espelho. Em tarde de casa lotada e quase nenhum ingresso vendido, costumava atrasar-se em treze ou dezesseis minutos.

A agitação aumentava no exato tempo que as borboletas deixavam seus fantasmas. Tudo o que tinham era a cidade. Seus pés eram contornados pelos tabi e por todos os olhos que queriam. Era preciso se desfazer de tudo.

sábado, 18 de janeiro de 2014

heriotza

Aaron Bohrod
Medusa
1974
O espantalho anunciava as raízes humanas e os conflitos literários. Aos sinais gráficos e às suas representações e codinomes em formas de gelo restavam interrogando. Sala escura e quase nenhuma habilidade. A cada maneira de se colocar os dois negativos, um em oposição ao outro e invertidos, sabia-se quem e como.


Em todos os andrajos viam-se suas origens, estudos e pensamentos. E no dia seguinte, o café. As sinuosas combinações do terreno, chuvas, sol e mãos davam os nomes que eram os sobrenomes. Adeptos, partidários e sectários; juntos em reunião sobre as melhores escolhas. E sabiam-se onde e quando.

Um sono de parto e uma cor do nada. Depois, lavavam-se as louças da refeição. Almoço, jantar e desjejum. Se a única resposta que recebera fosse a música, sua melancolia aumentava e os ouvidos já não mais o ouvia. Os suspeitos estavam exaustos e suas preces ecoaram no lado errado. Claro que você é – o quê, porquê.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

stilyagi

George Luks
New Year s Shooter 1917
Foi durante o sexto festival mundial da juventude que todos se conheceram. Era preciso nutrir a gramática com verbos e sobrenomes e assim instalar-se na liberdade; mesmo que na lógica tênue de uma cartilha da primeira séria. E ainda portava-se libré ao mesmo tempo em que não se escolhiam os próprios sapatos.

De qualquer parte do planeta havia o conhecido humor imaginário.  Relativa melancolia que acabava por sucumbir em novos valores e assim dar forma e, talvez vetores, às existências mais apressadas. Foram as experiências em pensamentos que os convenceram que os riscos estão por toda parte.

Naquele absurdo perdido em cidades e mais cidades. Quase um absoluto de eminências coloridas e recortadas. Enquanto a memória ia em ladeiras, nada mais confiável era esperado. Escutar era o mais necessário. Andar, mover e pintar em telas curvas todas os passos, olhares e calafrios da memória.