quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

impossívelgrafia ou aviron



Hundertwasser Aurore 1968
Não houve outra história de descrevesse suas habilidades e talentos. A linha do nariz movia-se com facilidade a tudo que ouvira e praticamente definia suas variações de humor. O obi estava posto e devidamente ajustado. As disposições se encaixavam milimetricamente naquela figura desenhada no chão.

O estado de palidez consistia em três doses de gim e alguma maquiagem. E em seis dias da semana, suas olheiras pareciam mais próximas do personagem do que se via no espelho. Em tarde de casa lotada e quase nenhum ingresso vendido, costumava atrasar-se em treze ou dezesseis minutos.

A agitação aumentava no exato tempo que as borboletas deixavam seus fantasmas. Tudo o que tinham era a cidade. Seus pés eram contornados pelos tabi e por todos os olhos que queriam. Era preciso se desfazer de tudo.

sábado, 18 de janeiro de 2014

heriotza

Aaron Bohrod
Medusa
1974
O espantalho anunciava as raízes humanas e os conflitos literários. Aos sinais gráficos e às suas representações e codinomes em formas de gelo restavam interrogando. Sala escura e quase nenhuma habilidade. A cada maneira de se colocar os dois negativos, um em oposição ao outro e invertidos, sabia-se quem e como.


Em todos os andrajos viam-se suas origens, estudos e pensamentos. E no dia seguinte, o café. As sinuosas combinações do terreno, chuvas, sol e mãos davam os nomes que eram os sobrenomes. Adeptos, partidários e sectários; juntos em reunião sobre as melhores escolhas. E sabiam-se onde e quando.

Um sono de parto e uma cor do nada. Depois, lavavam-se as louças da refeição. Almoço, jantar e desjejum. Se a única resposta que recebera fosse a música, sua melancolia aumentava e os ouvidos já não mais o ouvia. Os suspeitos estavam exaustos e suas preces ecoaram no lado errado. Claro que você é – o quê, porquê.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

stilyagi

George Luks
New Year s Shooter 1917
Foi durante o sexto festival mundial da juventude que todos se conheceram. Era preciso nutrir a gramática com verbos e sobrenomes e assim instalar-se na liberdade; mesmo que na lógica tênue de uma cartilha da primeira séria. E ainda portava-se libré ao mesmo tempo em que não se escolhiam os próprios sapatos.

De qualquer parte do planeta havia o conhecido humor imaginário.  Relativa melancolia que acabava por sucumbir em novos valores e assim dar forma e, talvez vetores, às existências mais apressadas. Foram as experiências em pensamentos que os convenceram que os riscos estão por toda parte.

Naquele absurdo perdido em cidades e mais cidades. Quase um absoluto de eminências coloridas e recortadas. Enquanto a memória ia em ladeiras, nada mais confiável era esperado. Escutar era o mais necessário. Andar, mover e pintar em telas curvas todas os passos, olhares e calafrios da memória.