domingo, 23 de março de 2014

Falam as partes do todo

George Wesley Bellows
Paddy Flannigan
1908
Coleção particular
– Tudo o que vivo é contraditório. De súbitos instantes é o quê me recordo. Das formas inventadas cotidianamente, das mesas desenhadas no chão, das mãos quando tocavam o rosto. Minha experiência é com o espaço que me cerca; com o espaço que não me cerca e com os gestos planejados.

– Os passos da improvisação são todos feitos de expressão e construção. A eles, falo sobre estéticas insalubres de memórias puramente doces e convexas. Às suas experiências não tenho dança e às suas interações, me retornam pulsos. As nossas coisas se escolhem: nos limites das nossas éticas.

– Desço às camadas e os pesados casacos agora se fecham nos cabides. O movimento é da cor do ar. E como eu palmilhasse vagamente algumas palavras sabidas por uma estrada pedregosa diante de defuntas crenças convocadas, e ao pisar na grama, pergunto –

E por que você está sempre de preto?

sexta-feira, 7 de março de 2014

Lieder

Käthe Kollwitz
Self-Portrait 1924
Lithograph on handmade paper
Art Institute of Chicago, Chicago, Illinois, USA
Be careful, you are not in wonderland
I’ve heard the strange madness long growing in your soul
but you’re fortunate in your ignorance
in your isolation
you who have suffered
find where love hides
give, share, lose
lest we die, unbloomed

Allen Ginsberg  

Eu não visto branco. Eu não vejo branco. Eu e nós não fazemos frases sobre os assuntos das duas primeiras. Quero os pronomes e os nomes em proa e popa. Eles querem as éticas, as cognições, os conhecimentos, e os reconhecimentos.  Vós sois capazes de afetar e serem afetados. Não parem as máquinas!

A entrevista após a partida esclarece todas as questões existenciais. Falemos ao microfone que em um dia se perde e outro se ganha; as perdas e os seus limites.Durante noventa minutos, fomos formas desorganizadas. Sentimos o placar se alterar, mas nos expressamos ao soar do apito e no final.

Estar nas trincheiras. A vida na arte ou contrário, ou não. Sempre no que queremos e no que precisamos. É um estado de escolha: aos que escolhem seus respiros ao sereno. A visão de uma noite é a questão.