sexta-feira, 25 de abril de 2014

A boa coragem

Goya
1808-1812
Óleo sobre tela
Museu do Prado, Madrid
"À fantasia  foi-me a intenção vencida;
mas já a minha ânsia, e a vontade, volvê-las
fazia, qual roda igualmente movida,

o Amor que move o Sol e as mais estrelas"

A divina comédia
Dante Alighieri


A boa coragem se estabeleceu em múltiplas percepções. Diversas em forças de atividades. claro, um pneu furado no caminho e uma roda amassada. Em meia hora tudo se resolveu: ou eu não termino nada. Continuar  a me recordar é uma primeira instância de filtragem de significados.

Apreensão e compreensão. Seus preconceitos clássicos do mundo ocidental. Formas e muitas formas. É o que se via pelas palavras. Eram poucas vezes lidas e sublinhadas. Até que um leve arranhar em seu queixo trouxe todas elas à boca. Ao fechar as janelas, continuou a se fazer e em dois ou três anos, pôde ver um por do sol.

Ao instante do não contato com o solo, vejo a leveza que procuro. Ou que evitava. Ou ainda, o arquétipo idolatrado. É preciso se afastar para ver os céus azuis e suburbanos.  Dicionários a preencher e a presentear. Resido na língua portuguesa, nas inações, nos bancos das praças, nas boas refeições e nas minhas poucas memórias.