sábado, 23 de agosto de 2014

não-tudo



La Fountain de Marcel Duchamp, 1917
Fotografia de Alfred Stieglitz
Réplica do Tate Gallery de Londres
O veludo vermelho era aberto. Sete pontos de luz vociferavam sobre o piso de freijó. Da moldura, se viam violino, atabaque, acordeom;  sapatilhas, ritmo, transpiração; tela, cor, viagem ao sertão; terracota, teques, museu em Milão;  figurinos, maquiagem; monólogo cão;  máquina de escrever, papel, invenção;  filme, câmera, aliteração.

Dois dedos na caixa de fósforo e composição. Meia volta no ar e a cara no chão. Os dedos em volta do pincel e um na multidão.Cortes mínimos e máximos em plena evocação. Ensaios, e muitos ensaios, leituras para nada sair em vão. Dois pensamentos, três chocolates, oito cafés e meia afirmação. Nestes contínuos de partes - todas em emulsão.

Ao que me lembro era um grande quintal em casa de avó. Hora dos bolinhos de chuva e voltar ao brincar. Olhar para o céu e aprender qualquer coisa depois da janela. Sem mitos, sem modernos, sem fórmulas, sem contrários, sem sagrados, sem paraísos, sem mediação.