sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Para os tempos

Edward Hopper - 1965 - Two comedians - Óleo sobre tela
73,7cm x 101,6cm - Coleção particular
Tenho a memória pulverizada ou a memória pulveriza algumas coisas em mim. Como se visse cartões postais em vez que janelas. Falo uma língua que flutua entre meus dedos e que escapam ao próximo ouvido ou à próxima página. Ontem, enquanto entrava no ônibus e seguia para o trabalho, me vi em uma boca alheia.

Planejei me sentar no fundo, onde os vazios são frequentes. Passo a roleta e os poucos assentos disponíveis são aqueles expostos aos contatos. Penso em ficar em pé e dividir a barra vertical com o sorridente de óculos escuros. Poupo-me da displicência e escolho as linhas horizontais que compartilho com a sujeita de trança solta.

Sou meu único vizinho. Alguma grama, verde pela chuva, conduz o meu olhar a outra ponta da rua. Aceno, faço um sorriso, um gesto de diálogo. Contentamento em sorrisos ansiosos. Dançamos ao som imaginário, preparamos uma refeição e ouvimos as respirações. Quase dez minutos de algum caminho, descemos.



domingo, 6 de dezembro de 2015

Faço tudo que seja nada extraordinário

Cine Brasília - 1962 - Marcel Gautherot - Acervo do IMS
Faço tudo que seja nada extraordinário. Faço pontos vermelhos em telas que secam e mantêm o brilho. Um azul, um laranja sem molduras. Repito as exposições, os filmes e os recortes. Faço ampliações, reduções e retoques. Deixo secar, mofar ao sol. No meio do disco um música do lado b. E depois.

E esta música de poucos ouvidos se escuta bem perto dos olhos e dos pés; ambos dançam. Um nó no vento que nos abraça e nos faz encontrar em chuva depois do sol. Alguns diminutivos em sons cercados de imitações. Um folclore sem paredes caiadas - e com janelas para a rua. E antes.

Algum tempo que era hamartía, e pelo seu circular funcionamento fora destruída. O tempo lá fora que vive passando, enquanto dentro, vive em notas lentas e longas. À esquerda do gauche poético e vivaz. Umas avenidas sem dilemas e outras ruas de terra. Um chão de coisas numeradas. E agora.



domingo, 22 de novembro de 2015

Cisne com asas

La Trahison des images - René Magritte
1929 - óleo sobre tela - 59cm × 65cm
Los Angeles County Museum - Los Angeles - EUA
O trajeto durava dois ou três abraços. Em alguma medida ou em todas elas, éramos um caminho na rua de paralelepípedos. À noite, pois a música costumava ser tocada nessas horas. À adorável decoração tínhamos olhares fixos e ao nos voltarmos, percebíamos um pontinho no nariz.

A melodia durava qualquer tempo que a desejássemos. Nem era pouco e nem muito. Nossas medidas continuavam entrelaçando umas às outras e quando,no tempo de um intervalo harmônico, as destruições fossem as construções (e vice-versa) já podíamos ver suas contínuas sobrancelhas.

E ao passo que nos deixando pela música, enxergarmos nossos horizontes. Cabíamos na palma da mão, aberta. Esta convivência entre os dedos e as memórias que ainda faríamos ao fechar os olhos e nos imaginarmos ao lado de nós mesmos. A desrealidade sobre os pés descalços que se tocam com carinho.


sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Cardação

Maria Leontina - 1957 - Da Paisagem e do Tempo
óleo sobre tela - 60cm x 80cm
Museu de Arte Moderna - Rio de Janeiro - Brasil
E então porque estávamos todos de preto. Muitas coisas sobre resistir e aquelas massas de tintas extrapolavam as dinâmicas que foram internas. Os movimentos iniciais percebidos contemplavam um plano e aos quais todos os outros posteriores, e claro, externos, desafiavam nossas vontades.

E então por que estávamos todos de preto? Ao cansado questionar, não houve respostas. Cambaleava ao largo das sarjetas e numa delas, sentou-se. Completava a cena com suas mãos espalmadas em repetições sincronizadas e opostas. Queria as ruas cheias de todo mundo, de mundo e de todos.

Talvez estivéssemos todos de preto porque somos noites fechadas. Precisássemos uns dos outros para dançar, correr, falar ou mesmo andar. Íamos fiando algum tecido entre falsas folhas de rosto. Não tenho ligação pessoal com o tempo. Não fecho os olhos. Não vejo ninguém que se vestisse de preto.



sábado, 17 de outubro de 2015

solau simulado

René Magritte - 1952 - La Chambre d'Écoute
óleo sobre tela - 45cm × 54,7 cm
Menil Collection - Houston - TX - EUA
Tenho uma imagem do tempo. Em cada unha pintada percebia um sol a menos. Como se o dial estivesse em única estação. Seus sorrisos álacres eram as minhas visões. Eram também a outras paredes que eles reverberavam e continuavam até não encontrarem seus pares. Cinco deles e o trabalho foi feito.

Todos os olhares, todas as orelhas vão em direção à televisão. Não o meu, porque, do contrário, perderíamos as gorjetas, que naquela bairro eram melhores que os rostos de quem as davam. Claro, serviríamos um pouco de água gelada antes de começarmos. Era o que chamávamos de beneplácito.

Deixávamos tudo limpo. Para que no dia seguinte, começássemos pontualmente. Uma vez fomos de férias e não pensamos em nada, só nos dias quentes. Quando retornamos dos dias de quase descanso, nos lugares das unhas, enxergávamos apenas um punhado de bochechas rosadas, e de costas.

sábado, 26 de setembro de 2015

Fateixas

Lucio Fontana - Concetto Spaziale - Attesa
1960 - óleo sobre tela - 93cm x 73cm
Tate Gallery, Londres, Reino Unido
Na praia, na beira d'água - onde as ondas minúsculas quebram - fazíamos nossos castelos de areia. Um baldinho e uma pequena pá, todos de plástico. Acho que não precisávamos de muita coisa; algo entre imaginar e sentir com as mãos um pouco daquele calor e outro sentimento que os dedos nos falavam.

Tínhamos divisões claras do que relataríamos mais tarde: um esforço de quase uma hora e depois que a maré começa a subir, alguma espuma mais densa vai lá e nos faz recomeçar. Uma hierarquia de repetições, porque - talvez - fosse essa a corrente a percorrer. E dentro delas, olhar pro horizonte e ver a nós mesmos.

Um dia destes, de primavera intensa e pouca chuva, vamos nos sentar no chão do mar. Respirar as visões que inventaremos e as vontades que não teremos. Celebraremos as noites de pouco vento e os olhares mais céleres. E em tarde de boa histórias, vamos deixar que olhos se abram e que algumas de nossas memórias recolham as fateixas.

sábado, 15 de agosto de 2015

Bué

Guy du Bois - 1926 - Girl Tying Her Shoe
óleo sobre painel - 55cm x 45,8cm
Addison Gallery of American Art
Andover - Massachusetts - EUA
Apesar do frio, da neve, da idade avançada dos convidados,teremos muita diversão. O trivial dos homens tediosos e desinteressantes é que eles recebem poucos olhares. A festa, como de costume, acontecia no final do ano e trazia o cantarolar daquela mesma canção. Dizia-se que era a tradição. Desconfio.

Quando os passos começavam na copa e se estendiam ao alpendre, as piores descobertas seriam recebidas com indiferença. O entusiasmo era próprio das coisas conhecidas, do enigma resolvido, da charada respondida e de começar o filme pelo fim. No interesse da fruição das películas - os limites eram os contatos - poderíamos ver algo como técnica ou riqueza.

Com toda aquela impossibilidade de deixar o sofá antes dos presentes, eram considerados dois ou três dispositivos de música. Minha seriedade estava em não tocar o prato de leite do gato. Rapidamente me viam e retornavam aos seus hábitos. A delicadeza das perversidades não me contagiavam. E então começava a dançar igual ao Ian Curtis.




quarta-feira, 29 de julho de 2015

Futebol

Fairfield Porter - Laurence at the Piano - 1953
Óleo sobre tela - 101,6cm x 76,2cm
New Britain Museum of American Art
New Britain, Connecticut, EUA
A paz do instante seguinte ao gol. Antes que todos gritem, chorem, esbravejem ou chutem a bandeirinha do escanteio. Antes das comemorações, dos abraços, dos pulos ou mesmo antes de qualquer indício de felicidade. É aí, quando os olhos se fecham por centésimos, milésimos, e então as vias se expandem, os sons se reverberam e as bocas falam.

É preciso entender que não há o quê entender. Os discursos pós-jogo, pós-vitória, pós-vestiários, pós-tudo são os mesmos rios que não querem chegar a lugar algum, os rios não dormem. É isto, os rios não dormem - obrigado pelas palavras de alívio, meu caro João Guimarães Rosa.

E torço para que minha pequenez e ignorância sejam suficientes.

terça-feira, 14 de julho de 2015

Cotidiano


Pieter Bruegel, o Velho - De parabel der blinden - 1568
Têmpera sobre tela de linho - 86 cm × 154 cm
Museo di Capodimonte, Nápoles, Itália
Quando os atores cantam ou as cantoras dançam, os sonhos são coloridos. O começo do dia era dedicado às entregas de jornais. Mesmo que chovesse quase sempre, era o trabalho que tínhamos. Depois de dois ou três meses, já nos acostumávamos. Às sextas-feiras, nos dividíamos para terminar mais cedo e ir comer um sanduíche de ovo e bacon. Havia uma bicicleta e eu estava a pé no dia de pagamento.

E mesmo que a bateria do rádio acabasse no meio do programa do meio-dia, já ficávamos sorridentes. Nosso nirvana tinha alcance até aos próximos sete dias, como se fôssemos recarregados. Uma música para cantar durante nossos arremessos. A vertigem estava nas costeletas e naqueles bigodes ralos - sem contar o cabelo emplastado. Era divertido.

Se as gorjetas que guardávamos em uma lata em cima do armário da cozinha ainda estivessem lá no final da tarde, faríamos uma visita à sorveteria e os sabores das amoras frescas ficariam conosco até adormecermos. Um sobre o travesseiro do outro e algumas horas de sono até ouvir Be-Bop-A-Lula pela primeira vez.




domingo, 21 de junho de 2015

batch

Robert Henri - Dutch Joe
1910 - Óleo sobre tela
60,96cm x 50,8cm
Museu de Arte de Milwaukee EUA
Quero poder usar um chapéu. E perdê-lo em dia de vento. Ou mudá-lo em dia de sol. E esquecê-lo em dia sem nuvem. Ou trocá-lo em noite de despedidas. Quero um chapéu. Ou vários. E um ou outro uso mais ou menos azul. Quero um chapéu de abas, quero um chapéu sem abas.

Quero segurar um chapéu. Com minhas mãos. Com o inverso dele em meus dedos de unhas pintadas. Um de cada cor. Um chapéu sobre todas. Um chapéu do avesso nas minhas imaginações. Ou quero tudo o contrário: antes de ser o oposto, mas sendo o mesmo que no fim eu vestia.

Quero uma cabeça com um chapéu. Uma cabeça sem chapéu. Um chapéu sem cabeça. Uma aba sem chapéu. Uma chapéu com todas as abas. E um monte de chuva no chapéu. Uma flor amarela no chapéu. Impregnada de cheiros e retumbantes naturezas humanas.

sábado, 30 de maio de 2015

Harvey


Edward Hopper - Chair Car - Óleo sobre tela
101,6cm x 127cm - 1965 - Coleção particular
Daquelas portas automáticas que ao se encostar o dedo, elas se abrem. Claro, o vagão precisa estar parado, para que ao entrar, - e já com o bilhete fora do bolso - possamos validá-lo. E em seguida fazer o trajeto em pé e encostado no vidro. Um translúcido de qualquer coisa que não estará na próxima parada.

Nem sempre era o mesmo, mas suas pessoas, que o conduziam-no, eram iguais. Digo iguais, como nada semelhante entre elas, mas iguais; idênticas. Vestiam uniformes cinzas e usam quepe. No inverno, acrescentavam cachecol e luvas, com as pontas cortadas - uma vez que suas mãos controlavam o painel de velocidade.

Os anúncios sonoros me permitiam saber para onde chegariam meus passos seguintes. Preocupava-me aqueles pouco afeitos à pontualidade; sentia que seus relógios não tinham lugar nos pulsos ou mesmos suas baterias já não precisavam ser trocadas. E as portas, como disse, atravessavam todos a lugares que jamais desejaram estar.




quarta-feira, 20 de maio de 2015

Walter não tinha dentes

Mark Tobey - Mosiac - 1954
Guache e aquarela sobre papel velino - 45,5cm x 29cm
Art Institute of Chicago, Chigago, Illinois, EUA
Walter não tinha dentes. Vendia parafusos sem cabeças na sua ferreteria de bairro. Tudo por peso; sempre um pouco a mais na sua balança manual. Quando questionavam suas contas, mostrava os dígitos vermelhos, talvez verdes. Enquanto a entregas eram feitas, podia ver poucos passantes na rua.

Walter comprava flores. E então as escondia, uma a uma, em garrafas translúcidas. Esperava uma semana. Depois, as colocava na pilha do seu quintal cimentado. Passavam de trezentas já. Voltava-se para a porta e engolia seus pensamentos. Com gelo, beliscava o céu da boca com o quinze anos roubado na festa do último Natal.

Walter levava seu dedos sem as cutículas. Resultado de décadas de apreensão entre os lados do canal. Tomava a balsa diariamente: morava na parte alta de sua imaginação e para que ele lhe fizesse companhia decidira por comprar um espelho. Foi assim que se viu com os olhos mais espantosos e corriqueiros.





sexta-feira, 24 de abril de 2015

Sem meias

Meredith Frampton - Marguerite Kelsey - 1928
Óleo sobre tela - 131,6 x 141,2 cm 
Tate Gallery - London - UK

Gosto de lavar o rosto antes de dormir. É a água; parece que ao deitar me sinto um pouco mais limpo. Ao menos respeitava os semáforos. Pedestre mesmo. Porque têm muitos apressados que insistem em competir com seres de rodas ímpares. Minha meta consistia em carimbar a folha dobrada todos os meses. Foram muitos.

Quase sempre ia de comercial; duas ou três vezes por mês, seria o especial: aquele com farofa de ovos como acompanhamento. E tudo se passava numa esquina atrás da Paulista, pro lado Centro - o único que existe. Ao balcão, não havia qualquer diálogo, exceto o pedido pelo número e o obrigado depois ao caixa.

A descrição do almoço dobrava-se como um lintel, de modo que ao se encaixar com os tijolos da memória formasse uma vasta e resistente parede repleta de fotos emolduradas. É isso que escrevo: uma repetida maré de visões pouco acabadas vibrando em amplitudes infinitas.

sábado, 21 de março de 2015

to what end

Michelangelo Pistoletto - Plexiglass- 1964
Galleria Gian Enzo Sperone - Torino - Itália
Era alguma paisagem vermelha que sobrevoávamos, ou talvez, quase certo qualquer contínuo em verde. Sou daltônico. Acho que não precisamos de explicações. Meu último gole de água e nenhum anacoluto. Afinal, a poeira veio para ficar. Qualquer sorriso entre a geladeira e os cubos de gelo é suficiente para conseguir ouvir.

Enquanto as tragadas sentiam atravessar o frio; eu lia o bilhete dobrado em quatro partes. A primeira era dedicada às escadas daquele pulgueiro da esquina. E depois, após o segundo vinco, eu recitava: nada como ter óculos de lentes verdes - corria - me prendo ao chão e claro colapsei em mastigar aquela pedra delo.

É preciso ir. Não. Não é preciso ir. É preciso nada. Nada, então, é preciso. Que sequência de nada nos torna necessários - poderia argumentar o velho timoneiro. Assim foram oito minutos de um diálogo entre cinco personagens. Acho que o vestido da mocinha era azul, embora minha memória ou minha córnea tenha refratado o oposto.




terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Dinâmicas gerais dos sonhos

Robert Capa
 Madrid - Espanha
Inverno de 1936-37 após um ataque aéreo ítalo-alemão.
Sou um homem doente...Sou mau.Não tenho atrativos. Acho que sofro do fígado. Em uma desordem crua e virtualmente vazia, escrevo. Sinto as convivências com a cidade, com as pessoas e consigo mesmo. Dobro a toalha e a deixo no cesto. Vou lavá-la de manhã cedo.

Há um senso de abertura naquelas árvores que crescem no bairro ao lado. Suas folhas seguem ao sol, altivas. Talvez morram no próximo verão.Parecem anunciar uma raiva contida nas suas ranhuras lacônicas: suas imovibilidades são seguidas por transformações químicas, ao vento e à chuva.

Soube pelas dóceis palavras dos corpos que eram as éticas baseadas no cuidar que sucumbiram por aqueles caminhos. Como numa alma infantil, nasce a indecisa sensação de que isto é o resumo da vida, por vezes felizes por vezes tristes, nós não somos mais que humildes servos.

sábado, 31 de janeiro de 2015

Amarelo


René Magritte
The Lovers 1928
Óleo sobre tela 54 cm x 73,4 cm
MoMA New York, NY, EUA
Uma sequência de atos e por consequência, perguntas. Talvez aquele primeiro plano com as delineadas esquinas; sim, porque são elas as mais relevantes nos riscos perpendiculares. E todos os campos de morangos, para sempre. E indo. Nada é real e ao mesmo tempo um sonho de enganos e eu, discordo.

Algumas fotografias à frente. Uma esquina e o café da manhã;  a explicação da moça do extremo. Eu em uma máquina limpa. Embora tenha me enganado na parada do autocarro. Nos tijolos vermelhos cheios de "compristas" e eu preciso dos meus olhos em céus suburbanos. Ahhh, seus andamentos em alllegros, quase prestíssimo.

Seguramente é incrível estar aqui. E aquela banda dos corações solitários do sargento ardido.  Com toda a ajuda dos meus queridxs amigxs. E no final do dia, mesmo sem a tristeza que se esperava era uma onda de que poderíamos acreditar e viver. E a Luce no céu com o céu, e os diamantes mentirosos. E os amantes.



domingo, 25 de janeiro de 2015

Tusk

Stanley William Hayter
Capa para o livro "Tides" de John Montagu
1970 Litografia sobre papel
12,1 x 11,4 cm
Tate Gallery, Londres, Reino Unido
Seriam as cores em movimento, como se encostassem em seus limites e neles se mimetizassem. Mas não foi assim. Seguia o planejado em suas cordas esticadas. E em passos anuais, teríamos imagens resolvidas apenas na superfície. E em alguma revista publicada em papel jornal, observávamos esquecimentos e muitos riscos.

Destes todos que conheci, somente os que se mostraram e me disseram alguns sóis em finais de tarde são quem qualquer moral se atrofiou. Viu-se em práticas de evasão e evidentemente sob insaciáveis bebedores elegíacos e sobremaneira mentirosos. É claro que atravessar as pontes das vias me fez pensar, e inutilmente dar as direções às próximas.

A severidade de um gesto repetido com lápis sobre a folha de papel e então a efígie. Era o que fazíamos em todas as tardes. E depois, gritávamos na rua; falávamos sobre todos os vizinhos e os seus íntimos medos. Enquanto eles nos olhavam pelos vidros duplos de suas janelas prontas para o inverno, ríamos e ríamos.