terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Dinâmicas gerais dos sonhos

Robert Capa
 Madrid - Espanha
Inverno de 1936-37 após um ataque aéreo ítalo-alemão.
Sou um homem doente...Sou mau.Não tenho atrativos. Acho que sofro do fígado. Em uma desordem crua e virtualmente vazia, escrevo. Sinto as convivências com a cidade, com as pessoas e consigo mesmo. Dobro a toalha e a deixo no cesto. Vou lavá-la de manhã cedo.

Há um senso de abertura naquelas árvores que crescem no bairro ao lado. Suas folhas seguem ao sol, altivas. Talvez morram no próximo verão.Parecem anunciar uma raiva contida nas suas ranhuras lacônicas: suas imovibilidades são seguidas por transformações químicas, ao vento e à chuva.

Soube pelas dóceis palavras dos corpos que eram as éticas baseadas no cuidar que sucumbiram por aqueles caminhos. Como numa alma infantil, nasce a indecisa sensação de que isto é o resumo da vida, por vezes felizes por vezes tristes, nós não somos mais que humildes servos.