segunda-feira, 11 de julho de 2016

Autocrítica do clichê ou phony phone call

Águas pluviais
Fotografia
João Almeida Neto
2016
Um tapete foi furtado. Uma casa grande para duas ou três pessoas. Sim, barbas aos montes – bem aparadas, hidratadas, fotografadas e instagraneadas. Uma ligação, um trote, uma música – um folkinho escolhido pelo aplicativo de caça-palavras-que-funciona-bem-só-no-vifí. Depois, assoviam a melodia em ritmo “Young folks”. Muito povo aqui, acho que devo sair do parágrafo.

Havia a praia também. Pouco sol, mas a areia seria capaz de prover a luminosidade necessária. Três ou quatro segundos para uma pose de refinamento e de seguidas adorações. Bom, se há consumo, estamos bem. Ou estaríamos bem. Certa tendência a usar a primeira do plural para os casos mais espinhosos e a primeira do singular, para, digamos, tornar única a experiência. Pensemos sobre espaço e tempo, juntas.

Chegamos ao restaurante, era sábado à noite. Carro, do ano, com o manobrista – há quem fale manobreiro. Saltos, gravatas, perfumes, pães péssimos com manteiga pior. Pagamos caro, afinal, somos endinheirados e cheios de academias. Laquê, cabelo acaju, anel no mindinho, dourado, muito dourado. Carpete, ar-condicionado, shantung, mais dourado. Canhota, mão esquerda, gauche.