sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Sobre o futebol

Luiz Braga (1956-) - Futebol na praia - 1988 - Fotografia
A história é falar com as partes do todo. Olhar nas suas estrias. Ao menos por sete minutos seguidos. Ver com as mãos do outro, da outra, dx outrx. Sem hierarquia. Com maestria. Perder-se em possibilidades, probabilidades, sorteio em jogos do acaso. Uma peça sem palco, com leitores olhando a atriz à luz que rebate às íris alheias e que se desfazem em crases bem postas e eficazes.

Talvez a meia-lua de espaço nas linhas brancas da grande área ou a jogada de correr mais com o pé à frente. Uma medição em metros. Tomei o drible, me perdi. Circulei e cantei vogais até que não estava no círculo. Saio, volto e piso na grama. Despiso a grama. Piso o des da grama. Da grama, do grama que não levo e deixo em todas as pegadas desfeitas depois e antes do encanto.

Amarro-me aos meus corpos. Deixo-os nos outros. Vejo a direção que me olha, aquela que não me vê, mas sente. Aquela que sente e vê aos poucos, à medida que abre-se a vista à chave.
Pé. Pé. Pé. Fico no gol. Móvel.