sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

dança

Yoko Ono (1933-) - Ceiling painting (Yes painting) - 1966 - texto sobre papel - vidro, metal e escada. Coleção particular
Havia uma rosa pendurada na parede. Um prego a prendia. Foi roubada de um túmulo de cantor desconhecido. Uma clarineta, uma agudez e em seguida; graves de baixo, bateria e sopros. Algum teclado para dar volume. Afinal, quem não gosta de volume. Apago do canto a palavra de três letras. Ticket do ride.

Tudo vai mudar. Tudo será cortado. Medido. Datado. Vincado. Vestido. Vês-tudo. A vez que tudo viu. A gravata da borboleta. O céu da estrela. O sorriso com lábios. Verde. Algo que se estava em vários lugares e ao mesmo tempo eram os lugares que se expandiam ao colocarmos os braços às costas da cadeira.

Uma flanela, uma lanterna, chiclete. Água sem gelo. Presentes intactos repletos de saudade. Coisas. Prelúdio. Dança. Parede. O vértice que escrevemos palavras curtas em parágrafos longos. Quase estrofes. Quase teto.