sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Rabo de pato


Sonia Delaunay (1885 –1979 - Ucrânia-França) - La prose du Transsibérien et de la Petite Jehanne de France - Ilustração para livro - aquarela estampada sobre papel - 200 x 35,6 cm - Princeton University Art Museum - Princeton - Nova Jérsey - EUA



Comecei a desenhar dedos. Dedões. Uma unha, um contorno levemente senoidal. Três linhas horizontais. Acompanha os traços exteriores. Ao modo imaginado, saímos com a forma desejada. Porque a forma é a duração das expectativas. Sentir os contornos, na verdade, vê-los. Faço em pretos e vermelhos. Mais em segundo tom. Corro às texturas. São elas que atravessam minhas fricções.

Eram de improviso e esboços. Entretanto, o tanto que eram não eram transitórias. Eram ou são definitivas. Ao momento que se tornam após a tinta já o são em para sempre. Este movimento em que saem das suas origens e receptáculos e então se transformam em outras cinturas, horizontes. Desço ao sub do solo, à placa de metal ao chão, à distante impressão analógica.

Depois, fiz narizes. Com um traço e duas sombras. Algo que motivasse um volume mais aparente. Vários e conquanto que dialogassem, estavam esperando a outra linha, ligações simultâneas. Rugas, aos olhos. Perto deles. Olho pra eles. Vejo. Penso, e - quase em assimilação - refiro-me aos seus brincos. Uma diversão na língua de bardo, a moderna. Isso, os olhos-rugas de tão quanto os quero.