terça-feira, 18 de abril de 2017

Casa

João Almeida Neto - 2016 - Sem título - Fotografia
Daqueles que iluminam uma parede. Era azul. Base pesada e lâmpada importada. Via-se quem estava mais ao fundo, no sofá. Uma janela que dava à rua e que podia se escutar as gargalhadas de um almoço de domingo. Prato único, suco de caju, sobremesa – às vezes a mais velha levava uns docinhos a mais, en plus – como ela dizia.

Havia quem reclamava da demora do banquete. Havia quem reclamava dos discos de vinil que tocavam até o café. Havia quem concordava mexendo a cabeça enquanto mastigava, para não ter que se desfazer de sabores. Pois, havia quem não lembrava do último aniversário e se desculpava na promessa de levar um presente ou compartilhar o primeiro pedaço de bolo.

Sentada. Sem mais poder andar. Olhava a cada uma das boas almas daquele lugar. Pedia, em silêncio, que todas ali se olhassem também. Sorria em gestos delicados e contínuos. Ao som da campainha, sabia que seria uma única e última vez a encontrar todas em tão boa música.

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